Estúdio no Recôncavo era usado para gravar cenas de sexo com crianças

Suspeito é conduzido por policiais civis na frente do Ministério Público, em Nazaré (Bruno Wendel/CORREIO)

A Polícia Civil da Bahia encontrou um estúdio onde eram feitas fotos e gravação de vídeos de sexo explícito com crianças e adolescentes durante a operação de combate à pedofila do Ministério Público da Bahia (MP-BA), batizada de Dirty Web, que significa em português ‘teia suja’. O local usado pelos criminosos fica na cidade de Aratuípe, Recôncavo baiano, e servia como ponto de disseminação como também de produção do conteúdo. Uma pessoa foi presa na cidade.

“São fotos e vídeos com crianças mantendo relações sexuais com adultos. Cenas repugnantes”, declarou a promotora Ana Emanoela Cordeiro, coordenadora do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e Investigações Criminais (Gaeco). 

Ainda no estúdio, a polícia encontrou brinquedos e medicamentos, indícios de que crianças eram levadas para o local. “Bichos de pelúcia, roupas infantis, doces, dvd’s infantis e até medicamentos, supostamente usado para dopar pessoas, foram apreendidos na operação. São fortes elementos de que algumas das fotos e vídeos foram produzidos no estúdio”, disse a promotora. 

Prisões
Os policiais cumpriram mandado de prisão e busca apreensão em Salvador – Castelo Branco, Cidade Nova, Vila Laura, Itapuã, Paralela, São Marcos, Plataforma, Tororó e Santa Cruz –, e nas cidades de Simões Filho (Região Metropolitana de Salvador), Alagoinhas, Cruz das Almas, Baianópolis, Feira de Santana e Aratuípe. Foram 11 presos em flagrante – cinco em Salvador e seis no interior da Bahia. Inicialmente, a assessoria de comunicação do MP divulgou o total de 12 presos, mas a informação foi corrigida durante a coletiva de imprensa na manhã desta quinta. 

As investigações duraram mais de seis meses após denúncia da polícia de São Paulo para a cidade de Itamaraju, no sul do estado. “Ao receber a denúncia, comecei a apurar e descobrir vários casos no estado”, disse o promotor João Paulo Costa, titular da Vara Criminal e da Infância de Itamaraju, responsável pela emissão dos mandados. 

Colaboraram, ainda, com a ação a Polícia Civil do Estado da Bahia, através do Departamento de Polícia do Interior (Depin), do Comando de Operações Especiais (COE), do Departamento de Polícia Metropolitano (Depom) e do Departamento de Crimes contra o Patrimônio (DCCP), além de diversos promotores de Justiça do Estado, que auxiliaram no cumprimento dos mandados.

Descarte
O Gaeco foi acionada para investigar o caso. “Após monitoramento de indícios desse crime em municípios da Bahia, demos continuidade as apurações e chegamos a esse grupo que trocava, armazenava, compartilhava e comercializava imagens pornográficas envolvendo crianças”, afirmou. 

Ainda de acordo com a coordenadora, com a chegada da polícia, alguns dos acusados tentaram descartar as provas do crime. “Em Salvador, os acusados foram presos em Castelo Branco, Itapuã, Paralela e São Marcos e, quando chegamos com mandado de busca e apreensão, suspeitos tentaram jogar as provas pelas janelas e no sanitário”, disse a promotora.

A representante do MPE disse ainda que a investigação visa identificar as crianças e adolescentes que aparecem em cenas de sexo nas fotos e vídeos. “Uma prática nefasta que pode culminar na prática efetiva contra a criança e o adolescente”, declarou.  

Parentes 
Dentre os materiais apreendidos estão computadores, celulares e anotações dos acusados. “Estamos investigando se há ligação entre eles, mas normalmente essas pessoas costumam conversar entre si nas redes sociais”, pontuou a promotora. Os presos foram encaminhados para a Delegacia Especializada de Repressão à Crime contra Criança Adolescente (Dercca) regionais e estão à disposição da Justiça.

Entre os cinco presos em Salvador está um rapaz de 30 anos, funcionário de uma loja de materiais de construção localizada na Avenida Paralela. O pai e irmão dele disseram que o homem fazia parte de um grupo de Whatsapp que teria sido rastreado pela polícia. 

O pai e o irmão preferiram não revelar o nome do acusado que mora na Avenida São Rafael, nas imediações da Chesf. “Ele fazia parte de um grupo de Whatsapp que recebia várias imagens. Foi o que a polícia nos disse, mas estamos sem acreditar. A mulher dele que nos ligou, avisando que a polícia tinha levado ele por conta desse crime (pedofila)”, disse o pai. 

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